Após muita luta e persistência, dia 26/04/2008 embarquei às 4:35 num vôo da Gol, pronto para realizar mais um grande sonho: conhecer o tão falado “Sul maravilha”. Se bem que esse não era o objetivo principal da viagem. O objetivo primeiro dessa fantástica viagem era participar do XIX Endipe – Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino, onde fui, com muita satisfação e orgulho, apresentar trabalho.
Após fazer conexão em Guarulhos – SP, desembarquei às 12:30 em Porto Alegre – RS. De cara, vi que ia me amarrar naquele lugar. Dia chuvoso, clima maravilhoso. Apesar de muito acostumado ao forte calor piauiense, o frio é algo que me fascina, paira romantismo no ar. Fiquei no aeroporto esperando os amigos que desembarcariam logo em seguida, mesmo gostando do frio não podia dispensar, por nada, o caloroso convívio com os conterrâneos.
Em Poa permaneci por uma semana. Logo no primeiro dia dei uma volta pelo centro da cidade, fazendo reconhecimento da área. Fiquei encantado com as formas arquitetônicas dos prédios. Não pude esconder o meu “encantamento nordestino” frente a tanta beleza. Juntamente a novos e velhos amigos, fizemos do dia seguinte, domingo, mais um dia de passeio. Museus, centros culturais, igrejas, cafés, nada escapou dos nossos atentos e curiosos olhares. Fotos e mais fotos, não faltava motivo. O almoço foi no café do Museu de Arte do Rio Grande do Sul, após visitarmos as exposições que estavam acontecendo. Noite tranqüila, no aconchego do Chalé da Praça Quinze. Muito frio, porém, confortado com vários casacos e animadas gargalhadas, que, aliás, foram uma marca de toda a nossa estada no sul. Ainda à noite houve a abertura do congresso na PUCRS. Tudo perfeito. As mais renomadas figuras do mundo educacional brasileiro estavam presentes. Contatos e conversas foram o forte desse momento.
No segundo dia do congresso, segunda feira, foi o tão esperado dia da apresentação do meu trabalho. Simpósios, mesas-redondas, painéis etc. já faziam parte da agenda. Á noite, muito vinho nos cafés gaúchos, oásis que renovavam o espírito e acalmavam a mente, por demais desejosa de tranqüilidade e paz.
Os dias se seguiam. Até quarta a programação era praticamente a mesma. Nada que não pudesse quebrar a rotina logo no final da tarde. Um passeio no ônibus panorâmico, “sem-teto”, marcou o quarto dia entre a gauchada. Vários pontos da cidade foram visitados. Mas fiquei inebriado mesmo foi com a grandiosidade e beleza dos parques. Perguntava-me: isso é Brasil? Não me sentia aqui. Pensava estar delirando. É outro mundo.
Na quinta-feira chegou o grande momento de viajar para as serras gaúchas. Gramado, Canelas, Novo Hamburgo, Nova Petrópolis, fizeram parte do roteiro. Cachoeiras, flores, cafés coloniais, lojas de chocolate, parques, lagos, passeio no teleférico ( com todo o frio na barriga a que se tem direito ) foram a tônica desse fabuloso dia. Vinho e suco de uva regaram a mente e a alma, que já estavam recheadas de chocolate. Novamente questionava: sonho? Realidade? Só sei que flutuava. Flutuava entre nuvens de algodão, chocolate e flores. Sentia-me como uma criança a deliciar-se num sorvete ou pirulito. A volta para o hotel, à noite, foi tranqüila, pois cochilei durante quase todo o percurso.
Sexta-feira foi dia de visita aos sebos. Obras raras lotavam as lojas, que ficavam numa rua exclusiva do centro. Todo o grupo permanecia “grudado” aos livros. Também, esperar o quê de pedagogos, psicólogos e literatos juntos? À tarde, o grande momento foi a visita à Casa de Cultura Mário Quintana. Puro êxtase! Não dispensei um delicioso happy hour no Café dos Cataventos. À noite, balada. Gente bonita, interessante, boa de papo. A chuva, que acompanhou-nos por todo o dia, ainda dava o ar da graça e inspirava canções sussurradas ao ouvido, o que provocava uma mistura de conto-de-fadas/sonho/fantasia/loucura.
Sábado, 8:00. É chegada a hora do retorno a Teresina. O calor do nosso povo, que insistia em fazer falta estava prestes a ser reencontrado. É a volta à realidade, nua e crua. Mas, uma realidade que também me faz bem, pois aqui vou encontrar amigos por quem já sentia muita saudade. Retorno com a mente resfriada, mais disposta a pensar e repensar sobre a vida, fatos e paixões. A reflexão trouxe-me a idéia de que pensar em mim , meu bem-estar, minha felicidade, é o melhor que faço nesse momento. Embora a lucidez às vezes nos enlouqueça, dessa vez está sendo providencial na medida em que proporciona um resgate existencial, reconstrutor de auto-estima e auto-prestígio.
Frio e calor. Opostos que fazem a minha cabeça. Não importa a estação, o que importa é sentir-se bem, livre. É poder falar da vida com alegria, prazer. Estando lá ou cá, vale mais poder sonhar, gargalhar, encantar-se e desencantar-se. Maravilha? Existe, sim! É poder ser feliz de leste a oeste, no norte ou no sul.
Teresina-Piauí, maio de 2008.
Raimundo Dutra de Araujo
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